MORTE INVISÍVEL NO MERGULHO Exposição ao Sulfeto de Hidrogênio (H₂S): toxicologia, falhas decisórias e critérios técnicos de prevenção no mergulho profissional 1. Introdução técnica do risco O sulfeto de hidrogênio (H₂S) é um dos agentes químicos mais letais associados ao mergulho profissional. Diferente dos riscos clássicos do mergulho — como narcose, hipóxia ou doença descompressiva — o H₂S não apresenta progressividade operacional. Ele atua como um risco de efeito binário: ou está ausente, ou é potencialmente fatal. No contexto subaquático e semi-submerso, o H₂S deve ser classificado como risco de início abrupto, baixa tolerância a erro e dependente exclusivamente de decisões tomadas antes da entrada do mergulhador. Não se trata de um risco controlável pela habilidade individual, mas por engenharia, planejamento e gestão. 2. Propriedades físico-químicas relevantes ao mergulho 2.1 Solubilidade em água e liberação súbita O H₂S apresenta elevada solubilida...
O LIVRO DE MERGULHO COMO ARMADILHA DOCUMENTAL Limitações operacionais, contradições normativas e impactos previdenciários na carreira do mergulhador profissional Introdução O Livro de Registro de Mergulho (LRM), modelo DPC-2320, fornecido e homologado pela Marinha do Brasil, é definido pelas Normas da Autoridade Marítima como documento oficial para registro da habilitação, dos exames médicos e das atividades subaquáticas do mergulhador profissional. À luz da NORMAM-13/DPC e da NORMAM-15/DPC, o LRM ocupa posição central no sistema regulatório do mergulho profissional brasileiro. Ele é exigido para o ingresso, permanência e regularidade do aquaviário integrante do 4º Grupo – Mergulhadores, nas categorias Mergulhador que Opera com Ar Comprimido (MGE) e Mergulhador que Opera com Mistura Gasosa Artificial (MGP). Entretanto, quando confrontado com a realidade operacional do mergulho profissional moderno, o LRM deixa de cu...