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Inspeção por Partículas Magnéticas no Mergulho Profissional

Inspeção por Partículas Magnéticas no Mergulho Profissional

Análise técnica comparativa dos equipamentos submersos, limites operacionais e implicações decisórias

A inspeção por Partículas Magnéticas (PM), internacionalmente conhecida como Magnetic Particle Inspection (MPI), ocupa uma posição singular entre os Ensaios Não Destrutivos (END). Embora baseada em um princípio físico simples, sua aplicação em ambiente submerso transforma o método em um sistema crítico de decisão operacional, com impacto direto na integridade estrutural, na segurança de ativos e na responsabilidade técnica das organizações envolvidas.

No contexto do mergulho profissional, a PM deixa de ser apenas uma técnica de inspeção e passa a integrar o núcleo das decisões de continuidade operacional, manutenção pesada e avaliação de risco estrutural.

Critérios técnicos para equipamentos de PM submersos

Nem todo equipamento de partículas magnéticas pode ser adaptado para uso subaquático. Para que um sistema seja considerado tecnicamente adequado ao mergulho profissional, cinco critérios estruturais devem ser atendidos simultaneamente.

  • Capacidade de magnetização eficiente em meio aquático;
  • Segurança elétrica e compatibilidade com pressão;
  • Sistema confiável de aplicação de partículas magnéticas submersas;
  • Iluminação UV subaquática compatível com partículas fluorescentes;
  • Ergonomia adequada ao trabalho do mergulhador.
A ausência de qualquer um desses critérios compromete diretamente a confiabilidade do ensaio e transfere risco técnico para o mergulhador, o supervisor e o contratante.

Arquiteturas de equipamentos disponíveis

O mercado internacional — e, por consequência, o mercado acessível às operações brasileiras — apresenta duas arquiteturas principais de equipamentos de PM submersos, além de soluções híbridas desenvolvidas sob demanda.

1. Sistemas submersos com suporte de superfície

Esses sistemas são concebidos como conjuntos integrados superfície–subsuperfície, nos quais a geração do campo magnético ocorre em uma unidade de alta potência localizada na superfície, conectada ao mergulhador por umbilical.

A magnetização é estável, controlável e adequada para inspeções críticas, especialmente em soldas estruturais, nós complexos e componentes de alta responsabilidade.

2. Sistemas submersos autônomos operados pelo mergulhador

Sistemas autônomos utilizam fontes de energia em bateria selada e são integralmente operados pelo mergulhador. Oferecem maior mobilidade, porém com potência e autonomia limitadas.

São empregados principalmente em águas rasas, estruturas portuárias, cascos e inspeções de manutenção, onde a criticidade estrutural permite esse envelope técnico.

3. Sistemas híbridos e soluções customizadas

Algumas operações utilizam sistemas híbridos, integrando yokes submersos, iluminação UV certificada e sistemas de aplicação de partículas adaptados.

Essas soluções deslocam parte significativa da responsabilidade técnica para o integrador e para o gestor da operação, exigindo POP rigoroso e validação técnica consistente.

Comparativo técnico operacional

Critério Sistema com Superfície Sistema Autônomo
Potência de magnetização Alta e estável Média
Profundidade operacional Elevada Limitada pelo projeto
Mobilidade do mergulhador Restrita Total
Complexidade logística Alta Moderada
Dependência da técnica do mergulhador Média Alta

Implicações técnicas e decisórias

A escolha do equipamento de PM submerso não é uma decisão operacional simples. Trata-se de uma decisão de engenharia, risco e responsabilidade legal.

Equipamentos inadequados ou utilizados fora de seus limites técnicos produzem falsos negativos, criam sensação ilusória de segurança e comprometem auditorias, certificações e decisões de continuidade operacional.

No mergulho profissional, o método de ensaio é tão confiável quanto o sistema que o executa e o contexto decisório que o sustenta.

Conclusão

A inspeção por Partículas Magnéticas em ambiente submerso representa uma das aplicações mais exigentes dos END no mergulho profissional. O mercado oferece poucas soluções genuinamente projetadas para essa realidade, exigindo decisões técnicas maduras e alinhadas ao risco estrutural envolvido.

A escolha correta não está no “melhor equipamento”, mas na coerência entre criticidade do ativo, profundidade, logística, competência técnica e responsabilidade institucional.

Bloco Comparativo Analítico — Equipamentos de PM Submersos

Este bloco apresenta uma análise comparativa qualitativa dos principais sistemas de inspeção por Partículas Magnéticas utilizados no mergulho profissional, estruturada para apoiar decisões técnicas e institucionais.

ASAMS System 3 — Sistema de PM Submerso com Suporte de Superfície

  • Arquitetura: sistema integrado superfície–subsuperfície com umbilical dedicado.
  • Magnetização: AC e DC por yoke, bobinas e prods.
  • Capacidade operacional: inspeções estruturais críticas e geometrias complexas.
  • Profundidade: limitada apenas pelo sistema de mergulho empregado.
  • Mobilidade: restrita pelo suporte de superfície.
Indicado quando a inspeção sustenta decisões de continuidade operacional, certificação estrutural ou auditoria formal.

ASAMS System 12 — Sistema Autônomo de PM Operado pelo Mergulhador

  • Arquitetura: sistema autônomo, alimentado por bateria selada.
  • Magnetização: DC por yoke integrado.
  • Capacidade operacional: inspeções localizadas e manutenção submersa.
  • Profundidade: moderada, conforme certificação.
  • Mobilidade: total.
Adequado para inspeções de manutenção e avaliações preliminares, com maior dependência da técnica do mergulhador.

Soluções Híbridas e Sistemas Customizados de PM Submerso

  • Arquitetura: integrações sob demanda.
  • Magnetização: variável conforme o projeto.
  • Capacidade operacional: dependente do POP e da equipe.
  • Profundidade: definida caso a caso.
  • Mobilidade: variável.
Recomendável apenas quando há validação técnica rigorosa e plena consciência do risco institucional assumido.

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