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A dor de perder alguém que trabalha embaixo d’água raramente vem à tona com profundidade — e, quando vem, encontra silêncio institucional e relatos fragmentados.

 



O trabalho submerso nas plataformas e embarcações offshore da indústria de óleo e gás no Brasil é uma tarefa de altíssimo risco, executada sob condições extremas de pressão e dependência total de equipamentos e protocolos de segurança. Apesar disso, acidentes que resultam em mortes de mergulhadores profissionais continuam a acontecer, muitas vezes entre trabalhadores terceirizados, revelando uma face pouco debatida da exploração de petróleo no mar.

Com base em fontes de imprensa reconhecida, sindicatos e relatórios oficiais, esta reportagem lista alguns dos acidentes fatais envolvendo mergulhadores profissionais no país, destacando as empresas terceirizadas para as quais eles trabalhavam — sem mencionar nomes de vítimas, em respeito à ética jornalística.

🔥 Acidentes Fatais Envolvendo Mergulhadores Profissionais no Brasil

1. Bacia de SantosProjeto de Expansão de Produção (Agosto de 2018)

Empresa prestadora de serviço: Fugro (terceirizada pela Petrobras)

Descrição: Um mergulhador realizando trabalho a cerca de 170 metros de profundidade sofreu um grave problema quando a mangueira de oxigênio foi degolada de seu equipamento de respiração durante manobras de instalação de tubulação no leito marinho. Ele recebeu atendimento emergencial, mas não resistiu aos ferimentos. �

FUP

2. Plataforma P-33 — Bacia de Campos (Janeiro de 2020)

Empresa prestadora de serviço: Sistac — Sistemas de Acesso S.A.

Descrição: Durante uma operação de mergulho a partir de embarcação de suporte, o trabalhador começou a passar mal após completar a imersão. Socorrido tanto no navio de apoio quanto na plataforma, teve o óbito constatado poucas horas depois, mesmo com procedimentos de emergência. �

Petronotícias

3. Plataforma Aroldo Ramos — Bacia de Campos (Março de 2019)

Empresa prestadora de serviço: Belov Engenharia

Descrição: Enquanto trabalhava a serviço da Petrobras, o mergulhador passou mal durante atividade submersa e foi transferido para atendimento médico na própria plataforma. Apesar das tentativas de socorro, ele não sobreviveu ao incidente. �

FUP

4. P-31 — Bacia de Campos (Data não divulgada, antes de 2020)

Empresa prestadora de serviço: Sistac — Sistemas de Acesso S.A.

Descrição: Conforme registros sindicais, outro mergulhador da Sistac passou mal durante uma imersão no fundo do mar, a aproximadamente 12 metros, e foi encontrado sem vida na enfermaria da plataforma, mesmo após os esforços para resgatá-lo. �

FUP

5. Porto Seguro — Bahia (Novembro de 2024)

Empresa contratante não divulgada publicamente

Descrição: Em mergulho profissional a cerca de 40 metros de profundidade, o trabalhador sofreu complicações ligadas à descompressão — condição médica grave decorrente de mudanças de pressão — e faleceu após a tentativa de socorro da equipe presente. �

UOL Notícias

📌 Observações Importantes Sobre os Dados

🔹 Dados oficiais não centralizam um banco público completo sobre acidentes de mergulho profissional no setor de óleo e gás, o que dificulta a identificação de todos os eventos e empresas envolvidas.

🔹 A maioria dos acidentes relatados nos casos acima envolveu trabalhadores terceirizados, não empregados diretos da Petrobras, embora esta última, como operadora, apareça em quase todos os contextos de operação nos quais esses mergulhos ocorrem. �

FUP

📊 Panorama de Segurança Offshore no Brasil

Segundo dados regulatórios, o setor de exploração e produção offshore no Brasil registrou um número recorde de acidentes em 2024 — 731 ocorrências no mar, envolvendo plataformas, embarcações e sistemas submarinos. Embora esses números não discriminem apenas acidentes de mergulho, eles ilustram o contexto de alto risco e frequência de incidentes nas operações marítimas do setor. �

Riviera Maritime Media

Além disso, análise sindical e de especialistas aponta que, historicamente, a maioria das fatalidades no setor offshore brasileiro ocorre com trabalhadores terceirizados, reflexo de práticas de contratação e pressões operacionais que impactam diretamente a segurança do trabalho. �

FUP

⚠️ Por Que Esses Acidentes Ainda Acontecem?

Os mergulhadores profissionais enfrentam um conjunto de fatores que tornam suas atividades extremamente perigosas:

Pressões fisiológicas extremas: como doença descompressiva ou embolia gasosa, que podem ocorrer mesmo com protocolos de segurança aparentemente seguidos.

Falhas de equipamento ou problemas técnicos inesperados: incluindo sistemas de fornecimento de ar ou suporte hiperbárico.

Ambientes hostis e variáveis: baixa visibilidade, correntes fortes e mudanças de pressão.

Pressões operacionais por cronogramas e eficiência, que podem levar a decisões arriscadas em condições subótimas.

Mesmo com protocolos rigorosos de treinamento e equipamentos modernos, esses fatores continuam a criar um cenário em que a margem de erro é pequena e as consequências dos acidentes, devastadoras.

📢 Conclusão — “Uma Segurança que Precisa Sair da Superfície”

Os acidentes apresentados aqui mostram um padrão alarmante: mergulhadores profissionais, essenciais à manutenção e à operação da infraestrutura offshore brasileira, continuam a morrer em circunstâncias que muitas vezes refletem falhas sistêmicas de segurança e gestão de risco no setor.

Empresas terceirizadas como Sistac — Sistemas de Acesso S.A., Fugro e Belov Engenharia aparecem repetidamente nos registros públicos conhecidos, enquanto a Petrobras, como principal operadora no Brasil, aparece associada aos contextos de operação desses mergulhos.

Sem um sistema público transparente que consolide acidentes de mergulho profissional e as condições em que ocorrem, a sociedade brasileira fica sem uma visão clara do real impacto humano dessas operações — e as famílias, sem respostas conclusivas sobre as circunstâncias que levaram à perda de vidas.

A urgência de melhorar a fiscalização, tornar públicas as investigações completas e responsabilizar empresas por práticas negligentes não é apenas uma questão regulatória, mas uma necessidade humanitária que ressoa em cada tragédia submersa nas profundezas do mar brasileiro.

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