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Os Mergulhadores de Combate ao Redor do Mundo




Os Mergulhadores de Combate ao Redor do Mundo — Nas Profundezas da Guerra e da Estratégia

Por J. Adelaide 

Quando se pensa em forças especiais militares, a imagem que costuma vir à mente é a de soldados altamente treinados em terrenos escarpados ou atiradores furtivos nas sombras. Porém, existe um outro tipo de combatente igualmente letal e discreto: os mergulhadores de combate. Esses especialistas operam sob a superfície dos mares e rios, enfrentando um ambiente hostil, silencioso e imprevisível, cumprindo missões que variam do reconhecimento furtivo à sabotagem, passando pelo resgate de reféns e combate antiterrorista. 


O que são mergulhadores de combate?

Os mergulhadores de combate, também conhecidos como combat divers ou frogmen (homens-rãs), são militares treinados para operar em ambientes aquáticos com foco em guerra não convencional e operações especiais. Suas funções incluem demolição subaquática, infiltração furtiva, reconhecimento, sabotagem, contraterrorismo e retomada de embarcações — além de missões de resgate em água e apoio a outras unidades de forças especiais. 


A prática moderna tem raízes históricas profundas, com grande impulso durante a Segunda Guerra Mundial, quando equipes especializadas em demolir obstáculos submarinos e preparar praias para desembarques aliados surgiram como um elemento decisivo em operações anfíbias. 


Brasil: os “tubarões” da Marinha — GRUMEC

No Brasil, a história dos mergulhadores de combate começou no início da década de 1960, quando dois oficiais e dois praças brasileiros concluíram o curso de Underwater Demolition Teams (UDT) dos Estados Unidos. A partir dessa experiência pioneira, foi criada em 1970 a Divisão de Mergulhadores de Combate, que se transformou posteriormente no Grupamento de Mergulhadores de Combate (GRUMEC). 


O GRUMEC, unidade de elite da Marinha do Brasil, é especializado em operações subaquáticas e anfíbias de alta complexidade. Situado em Niterói (RJ), o grupo atua em missões estratégicas como infiltração furtiva em áreas costeiras e fluviais, reconhecimento, sabotagem e proteção de infraestrutura crítica, como plataformas de petróleo e navios. �


Além disso, os mergulhadores brasileiros participam de exercícios multinacionais como a operação UNITAS, promovendo interoperabilidade com forças aliadas, e também reforçam a segurança em grandes eventos nacionais, coordenados com outras unidades de operações especiais. 


O treinamento do GRUMEC é considerado um dos mais rigorosos das Forças Armadas brasileiras, levando seus candidatos ao limite físico e psicológico, com cursos que podem durar cerca de 40 a 45 semanas de intenso preparo. 

Estratégia Militares

Unidades de Mergulhadores de Combate no Mundo

Em diversos países, forças especiais marítimas desempenham papéis semelhantes, cada uma adaptada às necessidades estratégicas nacionais:

Estados Unidos — Navy SEALs e suas origens

Nos Estados Unidos, os mergulhadores de combate evoluíram das históricas Underwater Demolition Teams (UDT) da Segunda Guerra Mundial — os chamados frogmen — que removiam obstáculos submarinos e realizavam reconhecimento antes de grandes desembarques. 


Essas equipes serviram de base para a formação dos modernos Navy SEALs (Sea, Air, Land), que incorporam a capacidade de combate subaquático a uma gama ainda maior de operações especiais, incluindo casos famosos como a missão que resultou na morte de Osama bin Laden em 2011. 


Israel — Shayetet 13 e unidades subaquáticas

Outra força de elite reconhecida é a Shayetet 13, unidade de comando naval de Israel especializada em incursões mar-terra, contraterrorismo e sabotagem marítima. Embora muitas de suas operações sejam classificadas, o grupo tem histórico de ações relevantes nas principais operações militares do país desde sua criação em 1949. 


Israel também mantém unidades como a Yaltam, focadas em neutralização de explosivos subaquáticos e operações de mergulho de grande profundidade, reforçando o espectro de capacidades aquáticas do país. 


Itália — COMSUBIN “Teseo Tesei”

A COMSUBIN é a unidade de mergulhadores e incursori da Marinha italiana, uma das forças pioneiras no uso de mergulhadores de combate e veículos submersíveis durante a Segunda Guerra Mundial. Sua atuação segue até os dias atuais em operações especiais, resistência marítima e reconhecimento estratégico. 


Malásia — PASKAL

Na Malásia, o PASKAL (Pasukan Khas Laut) é a unidade de elite da Marinha Real treinada para missões de ação direta, reconhecimento e guerra não convencional em ambientes marítimos, semelhantes aos SEALs americanos. 


Dinamarca — Frogman Corps

O Frogman Corps da Dinamarca é outra força de combate aquático reconhecida, especializada em reconhecimento especial, sabotagem e missões marítimas discretas, e faz parte do comando de operações especiais do país. 


Singapura — Naval Diving Unit

A Naval Diving Unit (NDU) de Singapura, apelidada de “Guerreiros das Profundezas”, é responsável por operações de eliminação de explosivos, segurança marítima e operações especiais de combate, fazendo dela um elemento crucial da segurança naval do país. 


Outros exemplos globais

Diversas nações mantêm unidades de mergulhadores de combate, desde a Força Naval de Chipre (Underwater Demolition Team) até forças especiais com capacidades subaquáticas na Argentina, Austrália, Canadá e Líbia, refletindo a importância universal desses profissionais no cenário militar moderno. 


O Papel dos Mergulhadores de Combate Hoje

Nos tempos atuais, a função dos mergulhadores de combate vai além de simples infiltrações. Eles são peças-chave em guerra assimétrica, combate ao terrorismo, proteção de instalações estratégicas e operações multinacionais de manutenção da paz. A natureza do seu trabalho — muitas vezes silencioso e clandestino — significa que muitas das missões permanecem confidenciais, mas sua relevância para a segurança nacional e global é inquestionável. 


Conclusão

Dos extensos cursos de resistência física e mental ao uso de tecnologias submarinas avançadas, os mergulhadores de combate representam o ápice da habilidade militar em ambientes aquáticos. Seja na Amazônia Azul, nas ilhas mediterrâneas ou nos estreitos marítimos estratégicos, esses profissionais continuam a operar no limite entre o visível e o invisível, garantindo que as nações possam proteger seus mares e interesses com eficácia e discrição. 




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