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Um dos pioneiros da soldagem subaquática e hiperbárica no Brasil

Diomedes Caetano Ferreira de Moraes Um dos pioneiros da soldagem subaquática e hiperbárica no Brasil A história da soldagem subaquática no Brasil passa, necessariamente, por trajetórias individuais raras. Uma delas é a de Diomedes Caetano Ferreira de Moraes , profissional que participou diretamente dos primeiros marcos técnicos da soldagem molhada e da soldagem hiperbárica em águas profundas no país. Formação técnica e entrada na indústria naval (1977–1979) Diomedes iniciou sua formação em soldagem no SENAI, em 1977 , período em que a indústria naval brasileira vivia forte expansão impulsionada pelos primeiros grandes projetos offshore. Em 1979 , ingressou na Ishikawajima do Brasil (Ishibras) , onde participou da construção de plataformas que se tornariam referência histórica no setor: P-9 P-10 P-11 P-12 Essa experiência consolidou sua base como soldador industrial antes de qualquer contato com o mergulho profissional — um ponto fun...

Quando pagar melhor reduz erro, risco e custo operacional

Quando pagar melhor reduz erro, risco e custo operacional Remuneração como variável técnica em operações críticas de mergulho No mergulho profissional, o erro humano raramente nasce de ignorância técnica. Ele nasce de fadiga, pressão, normalização do risco e, sobretudo, de instabilidade. Ainda assim, políticas de remuneração seguem sendo tratadas como tema periférico — administrativo — quando, na prática, atuam como variável estrutural de risco operacional. Essa constatação não surge da retórica sindical, mas da observação objetiva de setores onde errar não é uma opção. O ponto de partida: por que um caso corporativo importa ao mergulho? Em 2015, o CEO Dan Price, da Gravity Payments, tomou uma decisão considerada irracional: fixou um salário mínimo anual de US$ 70.000 para todos os funcionários, reduzindo o próprio salário de cerca de US$ 1,1 milhão para o mesmo valor. O mercado reagiu como sempre reage quando uma variável “humana” interfere no m...

Luvas no mergulho profissional: quando a proteção das mãos se torna um risco

Luvas no mergulho profissional: quando a proteção das mãos se torna um risco operacional Introdução As mãos são, simultaneamente, a principal ferramenta e um dos pontos mais vulneráveis do mergulhador profissional. É por meio delas que se executam ajustes finos, inspeções táteis, conexões críticas e manuseio de ferramentas sob condições adversas de visibilidade, temperatura, corrente e pressão. Apesar disso, os acidentes envolvendo cortes, esmagamentos, perfurações e perda funcional das mãos continuam recorrentes nas operações subaquáticas. Em muitos casos, o problema não está na ausência de luvas, mas na escolha inadequada do EPI , baseada em critérios genéricos, experiências empíricas ou na simples transposição de soluções terrestres para o ambiente submerso. Este artigo analisa o problema sob a ótica da decisão técnica , da gestão de risco e da responsabilidade operacional , abordando os limites das normas existentes e os critérios reai...

Avaliação interna como indicador de maturidade nas operações de mergulho profissional

Como os colaboradores avaliam as maiores empresas de mergulho profissional no Brasil Uma análise comparativa a partir do olhar interno do setor Introdução No mercado brasileiro de mergulho profissional e serviços submarinos, a análise das empresas costuma se concentrar em contratos, frota, capacidade técnica e certificações. No entanto, um indicador estratégico frequentemente negligenciado — e cada vez mais relevante — é a percepção dos próprios colaboradores. Avaliações internas publicadas em plataformas como Indeed e Glassdoor oferecem uma leitura indireta, porém consistente, sobre ambiente operacional, maturidade de gestão, sustentabilidade organizacional e risco humano. Em um setor de alto risco como o mergulho profissional, esses fatores impactam diretamente segurança, retenção de talentos e continuidade operacional. Esta reportagem analisa como SISTAC, Belov Engenharia, Oceânica Engenharia e Serviços Marítimos Continental (SM Continental) são avaliadas p...

Antes do Capacete.- O que precisa ser dito a quem pretende se tornar mergulhador profissional

Antes do Capacete O que precisa ser dito a quem pretende se tornar mergulhador profissional Introdução O mergulho profissional ocupa, historicamente, um espaço simbólico singular no imaginário técnico e industrial. Associado à coragem, à especialização extrema e à atuação direta em ambientes hostis, o mergulhador ainda é apresentado, em muitos contextos formativos, como um profissional raro, valorizado e economicamente recompensado. A realidade operacional, jurídica e econômica contemporânea, contudo, revela um cenário significativamente distinto. Este artigo apresenta uma análise institucional, técnica e desromantizada sobre o estado atual da profissão de mergulhador profissional, com ênfase no contexto brasileiro, evidenciando fatores estruturais que raramente são explicitados antes da formação, mas que são decisivos para a sustentabilidade da carreira. O objetivo não é desencorajar por re...

Inspeção por Partículas Magnéticas no Mergulho Profissional

Inspeção por Partículas Magnéticas no Mergulho Profissional Análise técnica comparativa dos equipamentos submersos, limites operacionais e implicações decisórias A inspeção por Partículas Magnéticas (PM), internacionalmente conhecida como Magnetic Particle Inspection (MPI), ocupa uma posição singular entre os Ensaios Não Destrutivos (END). Embora baseada em um princípio físico simples, sua aplicação em ambiente submerso transforma o método em um sistema crítico de decisão operacional, com impacto direto na integridade estrutural, na segurança de ativos e na responsabilidade técnica das organizações envolvidas. No contexto do mergulho profissional, a PM deixa de ser apenas uma técnica de inspeção e passa a integrar o núcleo das decisões de continuidade operacional, manutenção pesada e avaliação de risco estrutural. Critérios técnicos para equipamentos de PM submersos Nem todo equipamento de partículas magn...

Quem supervisiona o supervisor?

Quem supervisiona o supervisor? A lacuna de qualificação, autoridade técnica e risco sistêmico no mergulho profissional brasileiro No mergulho profissional, poucas decisões são tão críticas quanto aquelas tomadas pelo supervisor. É ele quem autoriza a descida, define tempos e perfis, escolhe tabelas de descompressão, decide pela continuidade ou abortamento da operação e, em situações extremas, conduz o tratamento hiperbárico. Em sistemas maduros, essa função é rigidamente regulada. No Brasil, entretanto, a realidade é outra. Esta reportagem analisa, de forma técnica e estrutural, como a função de supervisor de mergulho é definida no Brasil, quais exigências legais existem — e, principalmente, quais não existem — e quais são as consequências operacionais, humanas e institucionais desse modelo. O que a legislação brasileira exige — e o que ela omite A principal referência normativa para o mergulho profissional civil no Brasil é a NR-15, Anexo 6, que trata das ativid...

Destaques

Delta P - Conheça os perigos da pressão diferencial no mergulho

Pressão Diferencial: o inimigo invisível que já custou vidas no mergulho profissional No universo do mergulho profissional, poucos riscos são tão silenciosos — e ao mesmo tempo tão letais — quanto a pressão diferencial, conhecida internacionalmente como Delta P (ΔP). Trata-se de um fenômeno quase invisível, difícil de perceber a olho nu e que, em questão de segundos, pode transformar uma operação rotineira em um acidente grave ou fatal. O que é a pressão diferencial (Delta P) A pressão diferencial ocorre quando dois corpos de água com níveis ou pressões diferentes se conectam, criando um fluxo intenso e direcionado. Esse cenário é comum em ambientes industriais e confinados, como: Caixas de mar Tanques e reservatórios Condutos e tubulações Estruturas portuárias Plataformas offshore Barragens e eclusas Quando essa comunicação acontece, a água tende a fluir violentamente do ponto de maior pressão para o de menor pressão, gerando um campo de sucção extremamente poderoso. Um risco quase i...

Mergulhadores em Excesso, Vagas em Falta: A Crise Silenciosa do Mergulho Profissional no Brasil

  Mergulhadores em Excesso , Vagas em Falta: A Crise Silenciosa do Mergulho Profissional no Brasil O mergulho profissional brasileiro vive uma contradição profunda e pouco discutida fora do próprio meio: forma-se mais mergulhadores do que o mercado é capaz de absorver, enquanto aqueles que conseguem ingressar enfrentam baixa remuneração, precarização e padrões de segurança incompatíveis com o risco extremo da atividade. Longe de ser uma profissão escassa ou elitizada, o mergulho profissional tornou-se, ao longo dos anos, uma categoria inflada, desvalorizada e empurrada para a informalidade — uma realidade que cobra seu preço em acidentes, adoecimento e abandono da carreira. 🎓 Formação Existe — Emprego, Não É verdade que o Brasil possui poucas escolas formalmente reconhecidas pela Marinha do Brasil para a formação de mergulhadores profissionais, como unidades do SENAI , a Divers University e a Mergulho Pró. No entanto, isso não significou controle de mercado, muito menos equilíb...

Mergulhando na Caixa de Mar

 Você sabe o que é caixa de mar  ? A caixa de mar fornece um reservatório de entrada do qual os sistemas de tubulação retiram água bruta.  A maioria das caixas de mar é protegida por  grades  removíveis  e podem conter placas defletoras para amortecer os efeitos da velocidade da embarcação ou do estado do mar.  O tamanho de entrada e espaço interno das caixas de mar pode varia de menos de 10 cm² a vários metros quadrados. As grades da caixa de mar estão localizadas debaixo de água no casco de um navio tipicamente adjacente à casa das máquinas. As caixas do mar são utilizadas para extrair água através delas para lastro e arrefecimento de motores, e para demais sistemas de uma embarcação, incluindo plataformas de petróleo. São raladas até um certo tamanho para restringir a entrada de materiais estranhos indesejados. Esta área crítica de entrada subaquática requer cuidados e manutenção constantes para assegurar um fluxo livre de água do mar. Os Serviços d...

Da planilha ao tribunal: quando decisões administrativas encontram o corpo do trabalhador

 Da planilha ao tribunal: quando decisões administrativas encontram o corpo do trabalhador Nos autos de um processo envolvendo acidente em atividade subaquática , duas narrativas se enfrentam. De um lado, a empresa, que apresenta procedimentos, contratos e relatórios. Do outro, o profissional acidentado , cujo corpo passa a ser a prova material da falha do sistema . O tribunal não julga apenas um evento isolado. Julga decisões administrativas confrontadas com a realidade operacional. O risco conhecido e a expectativa legítima do trabalhador Ao ingressar em uma atividade reconhecidamente perigosa, o profissional não renuncia aos seus direitos. A jurisprudência é clara ao reconhecer que o risco assumido é apenas o risco residual , aquele que permanece após a adoção de todas as medidas técnicas razoáveis. O trabalhador possui expectativa legítima de que: os equipamentos estejam certificados e mantidos, os procedimentos reflitam a prática real, a equipe seja dimensionada adequadamente...

Curso de mergulho profissional no Brasil

Para se tornar mergulhador profissional raso (50 mt) no Brasil, é preciso recorrer à uma das três escolas credenciadas pela Marinha.  Uma das opções é o Senai, que oferece o curso no Rio de Janeiro e em Macaé. A outra é a Divers University em Santos, e por fim, a mais jovem entre as escolas de mergulho profissional, A Mergulho Pro Atividades Subaquáticas.  Os valores estão na média de R$ 5085,04 (Preço Senai) para a formação básica, sendo aconselhável realizar outras especializações que podem elevar significativamente o investimento. Por exemplo, para trabalhar no mercado off-shore é pré-requisito de uma forma geral, a formação em:   Montagem e manutenção de estruturas submersas  (R$2029,46).   Outro exemplo de formação básica complementar:    Suporte Básico À Vida Para Mergulhadores. (Não é pré-requisito) É um ponto positivo pois capacita o mergulhador a prestar os primeiros socorros dentro dos padrões solicitados pela NORMAM 15 (DPC - Marinha...

Doenças invisíveis dos mergulhadores da indústria de óleo e gás

O mergulho profissional na indústria de óleo e gás é um trabalho de alto risco, altamente técnico e fisicamente exigente. Por trás das estruturas em alto-mar e das operações submarinas, há pessoas que colocam o corpo em condições extremas: pressão elevada, água fria, tarefas pesadas com ferramentas e ergonomia limitada. Isso cobra um preço 🌊 **Doenças Ocupacionais em Mergulhadores Profissionais da Indústria de Óleo e Gás – Uma análise científica baseada em evidências** O trabalho subaquático na indústria de óleo e gás expõe o corpo humano a condições físicas extremas: grandes pressões, repetições de imersões, misturas gasosas complexas, temperaturas frias, uso de equipamentos pesados e demandas ergonômicas intensas. Essas condições criam um conjunto específico de doenças disbáricas e lesões ocupacionais que diferem do mergulho recreativo em sua frequência, gravidade e implicações de longo prazo. 🧠 1. Doença da Descompressão (DCS) 📌 Definição e fisiopatologia A Doença da Descompress...

O custo psicológico do mergulho profissional

  O custo psicológico do mergulho profissional Ansiedade, silêncio e estigma no trabalho subaquático No mergulho profissional, os riscos físicos são amplamente conhecidos. Pressão, profundidade, equipamentos complexos e ambientes hostis fazem parte da rotina de quem trabalha debaixo d’água. O que raramente entra nos relatórios técnicos, porém, é o impacto psicológico dessa atividade — um custo silencioso que acompanha mergulhadores antes, durante e depois de cada operação. Ansiedade, tensão constante e estresse acumulado costumam ser tratados como parte natural do trabalho. Quando ignorados, esses fatores afetam a tomada de decisão, comprometem a segurança operacional e geram consequências profundas para os trabalhadores e suas famílias. A carga invisível da responsabilidade O mergulhador profissional não responde apenas por si. Ele carrega a confiança da equipe, a pressão do cronograma, a expectativa da supervisão e, muitas vezes, operações de alto valor financeiro. Cada tarefa ex...

Quando o bônus vira risco: os perigos de premiar gestores pelo corte de custos

  Quando o bônus vira risco: os perigos de premiar gestores pelo corte de custos Em muitos contratos offshore , metas agressivas de redução de custos passaram a ser tratadas como sinônimo de eficiência. Gestores são premiados por entregar orçamentos enxutos, cronogramas acelerados e economias imediatas. O problema surge quando esse corte não atinge desperdícios — mas sim o elo mais frágil da cadeia produtiva: o profissional de atividade-fim. No mergulho profissional , esse elo tem nome, CPF e família esperando em casa. Reduzir custos sem critério, especialmente em operações subaquáticas , não é estratégia. É aposta. O falso ganho da economia operacional Na prática, o que se observa em ambientes de alta pressão financeira é a redução de investimentos em: Treinamento e reciclagem de mergulhadores Manutenção preventiva de equipamentos críticos Atualização de sistemas de suporte à vida Redundâncias operacionais e equipes completas Planejamento de contingência e gestão de risco humano...

A negligenciada limpeza dos capacetes Kirby Morgan no mergulho comercial brasileiro

  A limpeza dos capacetes Kirby Morgan no mergulho comercial brasileiro: o que dizem os manuais e o que acontece na prática No mergulho comercial brasileiro, especialmente na indústria naval e de óleo e gás, os capacetes Kirby Morgan são equipamentos compartilhados entre mergulhadores em uma mesma frente de trabalho. Em teoria, os manuais do fabricante e as boas práticas internacionais são claros: capacetes compartilhados exigem limpeza e sanitização adequada entre um mergulho e outro. Na prática, porém, o cenário encontrado em muitas operações está longe do ideal. 🚢 A realidade no campo: apenas detergente, quase nunca sanitização Em grande parte das frentes de mergulho no Brasil, o material enviado pelas empresas para a higienização dos capacetes se resume a detergente comum (geralmente neutro) e água doce. Produtos sanitizantes apropriados — aqueles capazes de eliminar bactérias, fungos e vírus — raramente fazem parte do kit operacional. O resultado é um procedimento que, na mel...

701 metros abaixo do limite humano: o mergulho que redefiniu o que é possível

  O mergulho que reescreveu os limites humanos: o case do Projeto Hydra e a revolução do mergulho de saturação Mar do Norte , décadas de 1970 e 1980. Água quase congelando, visibilidade mínima, pressões esmagadoras. Foi nesse cenário hostil que o mergulho comercial deixou de ser apenas uma atividade operacional — e se tornou um laboratório extremo de inovação humana, médica e tecnológica. Quando a profundidade deixou de ser o maior inimigo Até os anos 1960, o mergulho profissional tinha um limite claro: o corpo humano. A profundidade exigia longas descompressões, os riscos neurológicos eram altos e o tempo útil de trabalho era extremamente curto. A indústria offshore europeia — especialmente no Mar do Norte — precisava de algo radicalmente novo. Plataformas avançavam para águas cada vez mais profundas, e o custo do “tempo morto” de descompressão se tornava insustentável. Foi nesse contexto que nasceu um dos maiores cases de sucesso em inovação do mergulho comercial internacional:...