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Impressionante: Pesca mortal com compressores nas Filipinas





Publicação by Mundo do Mergulho.



Mais sobre pesca Mortal - 

Morte na tevê

Estrela do reality show "Pesca Mortal" que morreu durante as gravações tem sua agonia exibida no programa - e isso acirra o debate sobre os limites desse tipo de atração




LUTO OU EXPLORAÇÃO?
Cena do reality show “Pesca Mortal”, que mostra a aventura de uma tripulação pelos mares do Alasca.
Foi a bordo do barco Cornelia Marie (foto) que se deu a morte do capitão Philip Harris

O capitão Philip Harris, 53 anos, dedicou-se por mais de três décadas à pescaria em alto-mar. Há cinco anos ficou famoso como estrela do reality show “Pesca Mortal”, transmitido pelo canal a cabo Discovery. O programa mostra as emocionantes aventuras de Harris e sua tripulação (que inclui os seus dois filhos, Jack e Josh) a bordo do barco Cornelia Marie pelos mares do Alasca, nos EUA, em busca dos raros e valiosos crustáceos conhecidos como caranguejos-rei. Em janeiro, quando o grupo filmava a sexta temporada da atração, Harris teve uma sucessão de complicações de saúde: sofreu um AVC, sobreviveu com graves sequelas por dez dias, teve um infarto e morreu no dia 9 de fevereiro. Os técnicos e câmeras que integram a equipe da tevê registraram toda a agonia vivenciada nesse período e as dramáticas cenas foram reunidas em quatro episódios do reality show – o último será exibido na tevê americana na terça-feira 13. Os primeiros levados ao ar, com total anuência dos filhos, atingiram recordes de audiência nos EUA. Cerca de 5,5 milhões de telespectadores assistiram a todo o drama vivido pelo capitão do mar desde o momento em que ele sofre o derrame, é atendido por paramédicos, socorrido pelos filhos atônitos, sentindo fortes dores, parcialmente paralisado e sem fala, até o seu último suspiro.

AGONIA EM CAPÍTULOS
A exposição da dor de Philip Harris (acima) atraiu 5,5 milhões de telespectadores

Nas cenas iniciais surge um bilhete redigido por Harris para a sua equipe: “Continuem filmando. Essa história tem de ter um fim.”
O trágico desfecho mostrado cruamente aos telespectadores é um marco na história dos reality shows – nunca a morte real de um ser humano pôde ser acompanhada num programa desse gênero. Mas o assunto sempre atraiu os produtores, já que desperta curiosidade no público. O pioneiro “Survivor” inaugurou a modalidade das situações-limite de sobrevivência. Já “Boston Med” mostra doentes graves reais nos hospitais e o repulsivo “Jogo da Morte” causou polêmica exibindo cenas verdadeiras de tortura: os competidores recebiam orientação para aplicar choques elétricos num participante sempre que ele errasse a resposta a uma pergunta (depois se revelou que o objetivo era produzir material para um documentário francês sobre a violência). Recentemente, o tema ganhou mais destaque quando a carismática ex-BBB inglesa Jane Goody revelou, após deixar o programa, sofrer de um câncer cervical. Causou comoção nacional e a mídia acompanhou sua agonia e morte, num evento que chegou a ser comparado a um “reality show” pelo sensacionalismo da cobertura. A mesma decisão de se expor se deu com a atriz Farrah Fawcett (de “As Panteras”), que gravou um documentário sobre a sua batalha contra o câncer, perdida após alguns anos de tratamento (ela morreu no ano passado).




AUTOBIOGRAFIA

A atriz Farrah Fawcett (acima)documentou a sua luta contra o câncer

No caso do apresentador do “Animal Planet”, Steve Irwin, que morreu após o ataque de uma arraia na gravação de um programa, nenhuma imagem foi revelada ao público. O limite entre o que é aceitável e o que atravessa a fronteira do entretenimento e da emoção e avança numa desumana exposição do sofrimento e da dor é tênue.

PRAGMATISMO
Paciente terminal, a ex-BBB inglesa Jane Goody vendeu os direitos de imagem para tevês

A discussão em fóruns da internet e nos principais jornais americanos acerca do caso de Philip Harris vem chamar a atenção para isso. Os seus filhos defenderam a continuidade das filmagens e a exibição. Jack e Josh, ao serem indagados se impediram que algumas cenas fossem usadas na edição final, afirmaram que não: “Queríamos que tudo parecesse o mais real possível.” Eles entendem o programa como um tributo à biografia do pai e revelaram que poderão gravar uma nova temporada no próximo ano – em que distribuirão pelo mar do Alasca as cinzas do capitão Harris. Para o diretor do canal Discovery, seria uma maneira de o público compartilhar com a família o luto pela morte do pescador. Não se pode esquecer, contudo, que condoída ou escandalizada, a resposta do telespectador se traduz na audiência que tal exposição vai provocar. Os filhos de Harris garantiram que o último suspiro do navegante não será mostrado. É esperar para ver.

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