A vida confinada no fundo do mar dos mergulhadores que trabalham nas plataformas - Mergulho Saturado POR CÁSSIA ALMEIDA RIO - Uma carta em cima da geladeira é o sinal para o jovem Bruno começar a chorar. Seu pai vai ficar "quatro Faustões" longe de casa. Com essa despedida do primogênito Bruno, de 13 anos, e de Luiza, de 10 anos, começa a rotina do mergulhador Marcos Pedrosa, que há 17 anos fica confinado 28 dias numa câmara hiperbárica, só saindo para as profundezas do mar, no total de quatro meses do ano. Esse é o prazo máximo permitido por lei para esse trabalho no Brasil. São poucos os que se atrevem a descer a 300 metros de profundidade para consertar e fazer a manutenção das plataformas de produção de petróleo e gás da Petrobras e de outras empresas. O salário de até R$ 35 mil brutos, quando há mergulho profundo, é um dos atrativos. Sem mergulhar, o ganho é em torno de R$ 4 mil. Mas todos são unânimes em afirmar que o mergulho é uma "cachaça". Pedrosa...
Mergulhadores em Excesso , Vagas em Falta: A Crise Silenciosa do Mergulho Profissional no Brasil O mergulho profissional brasileiro vive uma contradição profunda e pouco discutida fora do próprio meio: forma-se mais mergulhadores do que o mercado é capaz de absorver, enquanto aqueles que conseguem ingressar enfrentam baixa remuneração, precarização e padrões de segurança incompatíveis com o risco extremo da atividade. Longe de ser uma profissão escassa ou elitizada, o mergulho profissional tornou-se, ao longo dos anos, uma categoria inflada, desvalorizada e empurrada para a informalidade — uma realidade que cobra seu preço em acidentes, adoecimento e abandono da carreira. 🎓 Formação Existe — Emprego, Não É verdade que o Brasil possui poucas escolas formalmente reconhecidas pela Marinha do Brasil para a formação de mergulhadores profissionais, como unidades do SENAI , a Divers University e a Mergulho Pró. No entanto, isso não significou controle de mercado, muito menos equilíb...